Um tratamento orgânico contra o ácaro Varroa, um dos principais parasitas das abelhas-europeias, apresentou resultados promissores para apicultores do Caribe. Em testes realizados entre março e maio de 2026, a presença do parasita caiu a zero nas colmeias avaliadas quando o produto Aluén CAP foi aplicado corretamente.
A experiência oferece aos produtores uma alternativa para proteger as colônias das quais depende a produção de mel. Também aponta uma forma de controlar o ácaro compatível, segundo os resultados do projeto, com práticas apícolas mais sustentáveis.
O teste integrou o projeto ApiCaribe, uma iniciativa de cooperação entre o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), a Argentina e países caribenhos.
Durante 13 semanas, o tratamento foi acompanhado em 14 colmeias de sete países: Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas e Santa Lúcia.
Participaram apicultores experientes, representantes do IICA e um especialista técnico da Cooperativa de Trabajo Apícola Pampero Limitada (CAP).
O resultado indica uma possibilidade concreta de controle do parasita, mas seu alcance ainda é limitado às colmeias avaliadas. A aplicação correta foi decisiva para a redução observada. Agora, o IICA e a Argentina pretendem apoiar os países na identificação dos períodos do ano mais adequados para usar o tratamento e ampliar sua eficiência.
Como funciona o produto
O produto vem em tiras de celulose impregnadas com a formulação, colocadas entre os quadros da colmeia. Foto: Cooperativa de Trabajo Apícola Pampero Limitada (CAP).
Desenvolvido pela Cooperativa de Trabajo Apícola Pampero Limitada (CAP), da Argentina, o Aluén CAP é um acaricida à base de ácido oxálico.
Seu diferencial está na forma de aplicação. O produto vem em tiras de celulose impregnadas com a formulação, colocadas entre os quadros da colmeia.
As tiras mantêm o ácido disponível por mais tempo, em vez de concentrar o tratamento em uma única aplicação breve. Em um estudo argentino com 48 colmeias, quatro tiras permaneceram na câmara de cria por 42 dias e o tratamento alcançou eficácia média de 95,9%.
O ácido oxálico age sobre os ácaros expostos dentro da colmeia. O contato com a substância é capaz de matá-los. O tratamento não alcança diretamente os ácaros protegidos dentro das células de cria já fechadas.
É por isso que a liberação prolongada interessa aos apicultores. Ela mantém a ação do produto enquanto novas abelhas emergem e outros ácaros ficam expostos. Essa explicação sobre a vantagem das tiras é uma inferência a partir do funcionamento da formulação e do ciclo do parasita.
Os resultados relatados pelo projeto são promissores. A redução a zero observada no teste, no entanto, não significa que uma aplicação eliminará definitivamente a Varroa de qualquer apiário.
A eficácia depende das condições da colônia, da época do ano e do uso correto do produto. Em outro ensaio, realizado na Argentina com 15 colmeias, a eficácia média variou conforme a quantidade aplicada: 98% com quatro tiras, 97% com três e 73% com duas.
Critérios ambientais
Para os apicultores, o controle da Varroa se soma a outro objetivo que é fortalecer práticas de produção que atendam a critérios ambientais e possam melhorar as oportunidades de comercialização do mel e de outros produtos das colmeias.
Essa é uma das frentes da cooperação desenvolvida pelo IICA com organizações apícolas, governos e organismos técnicos do Caribe ao longo da última década.
Coordenado pela representação do IICA em Barbados, o ApiCaribe faz parte de uma parceria iniciada por um memorando de entendimento firmado com a Argentina em 2009.
Além de apoiar a produção apícola, a iniciativa busca promover a criação de abelhas como atividade integrada à agricultura. Colmeias mais saudáveis podem ajudar a sustentar tanto a renda dos apicultores quanto a polinização dos cultivos da região.