Um novo estudo publicado na revista Royal Society Open Science indica que, ao contrário do que se costuma imaginar, o Tyrannosaurus rex não se deslocava como um réptil gigante, mas sim, em velocidades comparáveis às de uma ave.
Segundo os pesquisadores, isso se explica pelo modo como o animal caminhava: ele se apoiava nos dedos, adotando uma marcha semelhante à das aves, o que favoreceria movimentos mais rápidos e estáveis. Esse tipo de deslocamento é observado em aves corredoras modernas, que mantêm o calcanhar elevado e concentram a maior parte do peso na parte frontal do pé.
A conclusão dos pesquisadores se baseia na biomecânica, área que aplica princípios da física para entender como os corpos se movem, e na icnologia, que analisa vestígios como pegadas, em vez de esqueletos.
Para testar a hipótese, os pesquisadores mediram os ossos da perna e do pé do animal e aplicaram esses dados a diferentes modelos de velocidade já estabelecidos, proporcionais ao tamanho corporal. Em seguida, compararam três formas de apoio ao caminhar: com maior contato no calcanhar, na parte central do pé ou predominantemente nos dedos.
Ao final, observaram que, nas pegadas de grandes terópodes, as áreas mais profundas aparecem sob os dedos — um padrão compatível com a ideia de que o peso se concentrava na parte frontal do pé, e não distribuído por toda a sola.
Os modelos indicam que a velocidade máxima de um Tyrannosaurus rex adulto ficaria entre cerca de 5 e 11 metros por segundo. Os indivíduos jovens poderiam alcançar aproximadamente 40 km/h, enquanto os adultos muito grandes — como o famoso espécime “Sue”, um dos maiores T. rex já encontrados — estariam mais próximos de 18 km/h.
Esse padrão coincide com o observado em muitos animais de grande porte atuais: à medida que o corpo se torna mais pesado, os músculos precisam trabalhar mais para mover cada quilo, tornando velocidades extremas mais difíceis de manter.
Ainda assim, os autores ressaltam limitações importantes. As superfícies variam, e os animais não se movem de forma perfeitamente regular — fatores como lama e curvas podem alterar a forma das pegadas. Por isso, essas marcas são tratadas como evidência complementar, e não como um registro exato da velocidade.
À primeira vista, esse pode parecer apenas um debate sobre números. No entanto, a forma como o animal apoiava os pés influencia diretamente a compreensão de seu comportamento e modo de vida.