Um adolescente, de 17 anos, morreu no Piauí vítima de uma infecção provocada pelo fungo Coccidioides posadasii, conhecido como ‘’doença do tatu” . O irmão da vítima, de 14 anos, e um amigo, de 22, também foram contaminados.
A vítima morreu no último sábado (20), após ter ficado oito dias internado na UTI do hospital de Picos. Ele chegou a ser intubado, mas não resistiu. O amigo do jovem está internado em uma semi-UTI no hospital Justino Luz, e o irmão é monitorado em casa.
Ricardo Cavalcante, médico infectologista do Hospital das Clínicas da faculdade de medicina de Botucatu conversou com a equipe técnica do Ministério da Saúde que trabalha diretamente com essas infecções fúngicas e com os médicos dos jovens acometidos pela doença no Piauí. Segundo ele, o nome do fungo que estão presente no organismo dos adolescentes é o Coccidioides posadasii .
“Tive informação de um infectologista que está cuidando de um destes jovens que se encontra hospitalizado. Na verdade, o diagnóstico é de Coccidioides posadasii , primo da Paracoccidioides spp ”.
A Secretaria de Saúde de Simões, no Piauí, no entanto, confirmou a morte por paracoccidioidomicose. Desconfiado, Cavalcante checou a informação e descobriu que o fungo era Coccidioides.
O médico explica que as pessoas que trabalham com a caça do tatu podem ficar expostas a esses dois fungos, que desencadeiam a ‘‘doença do tatu’’.
“A doença que classicamente é a doença do caçador de tatu é o fungo Coccidioides posadasii . A gente conhece essa doença desde 1978 aqui no Brasil. Ela é uma doença que ela tem muito mais nos Estados Unidos, tem muito mais no México, mas ela também tem na América do Sul e no Brasil ocorre especificamente no nordeste.”
A pessoa é contaminada pelo fungo através da inalação que vem do solo. Segundo Cavalcante, este é o único meio de transmissão da doença. Ele ainda explica que a infecção não advém somente da “toca do tatu” e sim da terra.
“Não existe transmissão de humano para humano. E nem acontece a transmissão do animal para o humano”. E a exposição (ao fungo) não é na ‘toca do tatu’, na verdade, é uma exposição a terra”.