Os pais de um recém-nascido utilizaram as redes sociais para denunciar um caso de violência obstétrica supostamente praticado por profissionais do Hospital Regional de Sorriso.
Reproduzida em 8 de junho (sexta-feira), a postagem viralizou nas redes sociais e neste sábaso (11) já somava mais de 1,8 mil comentários e outros 1,7 mil compartilhamentos.
(Veja AQUI).
Em um vídeo com duração de 12 segundos, Valéria de Mello aparece segurando o filho recém-nascido no colo. Nitidamente abatida, a mulher apresenta uma forte vermelhidão em ambos os olhos.
A gravação foi feita pelo marido da puérpera, o trabalhador rural Ronaldo Francisco. O casal reside no Distrito de Entre Rios, localizado a 150 quilômetros do perímetro urbano de Nova Ubiratã, e foram encaminhados pela secretaria de saúde do município de origem.
“Venho por meio desse vídeo demonstrar meu repúdio e desespero por saber quão frágil nós somos”, escreveu ele na legenda.
Em tom de desabafo, o marido narrou com detalhes o trauma vivenciado pela esposa desde o primeiro dia em que foi atendida na unidade hospitalar, em 1º de junho.
Segundo Ronaldo, mesmo sendo constatada que a esposa apresentava início de dilatação e contratações, ela teria sido medicada e liberada pelo médico plantonista.
Três dias depois, no início da manhã, o casal retornou ao hospital e, apesar de reclamar de fortes dores, Valéria novamente foi medicada e aconselhada a retornar para casa. A mulher só conseguiu internamento por volta das 23h.
“Ela ficou em um quarto, sem acompanhante, pois minha sogra foi impedida de estar ao lado da filha. No momento em que minha esposa entrou em trabalho de parto uma das enfermeiras disse para ela ficar quieta, pois quando estava fazendo [o bebê] estava bom, né?”, escreveu o marido.
“Daí o senhor meu Deus enviou outra enfermeira para verificar os batimentos do meu filho (…). Minha esposa foi levada as pressas para sala de parto onde com muito desprezo por sua profissão, uma médica demonstrando nojo deixava claro que não deveria estar lidando com vidas (sic), dizia trecho da postagem.
Ainda de acordo com o homem, diante da gravidade, os profissionais de saúde “forçaram” o parto do bebê.
“Todos que tiveram a infelicidade de ter sofrido maus-tratos no Hospital Regional de Sorriso, ou em qualquer outro local, denunciem e não deixem isso acontecer sem que os outros saibam”, concluiu.
“O momento que era ser o mais feliz da minha vida se tornou o pior, mas ainda assim, sigo grata a Deus pela vida do meu filho e pela minha (sic), escreveu Valéria.
Violência obstétrica é um termo utilizado para caracterizar abusos sofridos por mulheres quando procuram serviços de saúde na hora do parto. Tais abusos podem ser apresentados como violência física ou psicológica e são responsáveis por tornar um dos momentos mais importantes na vida de uma mulher em um momento traumático.
Outro lado
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT) foi procurada, e informou que a direção do Hospital Regional de Sorriso tomou conhecimento do fato e vai apurar para adotar as providências caso sejam necessárias.